A devoção mariana de Pio XII

A devoção mariana de Pio XII

Congresso de estudo nos 70 anos da "Summi Pontificatus"

Por Antonio Gaspari

ROMA, terça-feira, 27 de outubro de 2009 (ZENIT.org).- Da mariologia de Pio XII, assim como de outros temas do pontificado e os ensinamentos magistrais deste Papa, fala-se nesta terça-feira em um Congresso de estudo por ocasião do 70º aniversário da Summi Pontificatus.

O encontro, promovido pelo Comitê Papa Pacelli e a revista Cultura & Libri, acontece na Basílica de São Lourenço Fora dos Muros, em Roma. 

O professor Stefano De Fiores pronunciará a palestra “Pio XII e a mariologia” e diversos especialistas falarão de outros temas, como a encíclica Mediator Dei, sobre liturgia sacra, Pio XII e a Segunda Guerra Mundial, a questão dos judeus, a eclesiologia e a bioética neste Papa, etc. 

Os textos completos dos palestrantes serão publicados em um número especial da revista Cultura & Libri. 

Ao finalizar a jornada, será projetado o filme Pastor Angelicus, realizado em 1942 pela Produzione Cinematografica Cattolica, de Romolo Marcellini. 

Sobre a mariologia de Pio XII, o Pe. Stefano De Fiores, da Companhia de Maria (montfortiano), explica que com o pontificado de Pio XII (1939-1958), a Igreja Católica vive a época de ouro do movimento mariano pós-tridentino, marcado pela promoção do culto a Maria e da doutrina mariológica. 

A especial veneração pela Mãe de Jesus consegue a máxima incidência na primeira metade do século XX, até o ponto que o beato João XXIII se referiu a ela como "era de Maria".

A devoção de Pio XII a Maria era fervorosa e sua mariologia, riquíssima. Em 13 de dezembro de 1894, aos 18 anos de idade, Eugenio Pacelli se inscreveu na Congregação mariana dos jesuítas em Roma.

Cinco anos depois, em 3 de abril de 1899, escolheu para celebrar sua primeira Missa a Capela Borghese de Santa Maria Maior.

Ordenado bispo no mesmo dia em que Nossa Senhora aparecia aos três pastorinhos em Fátima (em 13 de maio de 1917), confiou a Ela seu pontificado.

A devoção do pontífice também se expressou através de uma série de atos oficiais (Roschini enumera 400 documentos) que buscavam promover a presença de Maria na vida e no pensamento da Igreja.

Os eventos relevantes do magistério mariano de Pio XII são muito numerosos. Primeiro, na famosa encíclica Mystici Corporis Christi (de 29 de junho de 1943), o Papa precisa o lugar de Nossa Senhora no Corpo Místico de Cristo, apresentando-a como “alma socia Christi”, ou seja, Mãe associada ao Filho em toda obra redentora. 

Pouco conhecida, mas de grande importância, é a consagração do mundo ao Coração Imaculado de Maria (em 31 de outubro de 1942), que Pio XII realizou a pedido do episcopado português no 25º aniversário das aparições de Nossa Senhora em Fátima.

Em plena guerra, o Papa invocou Maria como “refúgio do gênero humano” e confiou a sua proteção maternal o mundo inteiro. 

Pio XII reiterou este ato de confiança na Mãe de Jesus consagrando a Rússia (em 1952) e a Espanha (em 1954). 

Como continuação destes gestos, Pio XII estabeleceu na Igreja universal a festa do Coração Imaculado de Maria (em 4 de março de 1944). 

A Pio XII se deve a promulgação do primeiro Ano Mariano da história (em 1954), com motivo do centenário da definição do dogma da Imaculada Conceição.

Seguindo o exemplo de Pio IX para o dogma da Imaculada Conceição, com a encíclica Deiparae Virginis (de 1º de maio de 1946), consultou todos os bispos católicos se consideravam oportuna a definição da Assunção (existiam já 8.036.393 assinaturas a favor).

Recebida a resposta afirmativa, o Papa, em 1º de novembro de 1950, em presença e em comunhão com o colégio cardinalício, com 700 bispos e com a multidão das grandes circunstâncias, proferiu a fórmula definitória: “Portanto, depois de ter levantado a Deus ainda mais instâncias de súplica e de ter invocado a luz do Espírito de Verdade, a glória de Deus Onipotente, que verteu em Maria sua especial benevolência, para honra de seu Filho, Rei imortal dos séculos e vencedor do pecado e da morte, para maior glória de sua augusta Mãe e gozo e júbilo de toda Igreja, pela autoridade de Nosso Senhor Jesus Cristo, dos santos apóstolos Pedro e Paulo e Nossa, pronunciamos, declaramos e definimos ser dogma revelado por Deus: que a Imaculada Mãe de Deus sempre Virgem Maria, acabado o transcurso da vida terrena, foi assunta à glória celeste em alma e corpo”.

Foi um evento memorável na história da Igreja, que o próprio Pio XII interpretou com estas palavras: “Como sacudido pelas batidas de vossos corações e pela comoção de vossos lábios, vibram as próprias pedras desta patriarcal Basílica e junto a elas parece que gritam com arcanos temores os inumeráveis e vetustos templos, levantados por todas as partes em honra à Assunção”.

Para mais informação sobre o congresso: www.comitatopapapacelli.org.

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