Bento XVI: reviver o amor e a veneração por Maria

Bento XVI: reviver o amor e a veneração por Maria

Palavras no Angelus da solenidade da Assunção, esse sábado

CASTEL GANDOLFO, domingo, 16 de agosto de 2009 (ZENIT.org).- Publicamos as palavras que Bento XVI pronunciou antes de rezar o Angelus com os peregrinos ao meio-dia desse sábado, dia 15, solenidade da Assunção de Nossa Senhora, no pátio interno do Palácio Apostólico de Castel Gandolfo.

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Queridos irmãos e irmãs! 

No coração do mês de agosto, tempo de férias para muitas famílias, inclusive para mim, a Igreja celebra a Solenidade da Assunção de Nossa Senhora. Esta é uma oportunidade privilegiada para meditar sobre o significado último da nossa existência, ajudados pela liturgia de hoje, que nos convida a viver neste mundo orientados ao bem eterno, a partilhar a glória de Maria, a própria alegria de nossa Mãe (cf. Oração "coleta"). Voltemos, pois, o nosso olhar a Maria, estrela da esperança, que ilumina o nosso caminho terreno, seguindo o exemplo dos santos e santas que a ela recorreram em cada circunstância. Sabe-se que celebramos o Ano Sacerdotal em memória do Santo Cura d'Ars; gostaria de aproveitar dos pensamentos e testemunhos deste santo pároco camponês algumas reflexões que possam ajudar-nos, especialmente o nosso clero, a reviver o amor e a veneração pela Santíssima Virgem. 

Os biógrafos atestam que São João Maria Vianney falava da Virgem com devoção e, ao mesmo tempo, com confiança e retidão. "A Santíssima Virgem Maria –costumava repetir– é imaculada, ornada com todas as virtudes que a tornam tão bela e agradável para a Santíssima Trindade" (B. Nodet, Il pensiero e l’anima del Curato d’Ars, Torino 1967, p. 303). E também: "O coração desta boa Mãe é só amor e misericórdia, não deseja mais que nos ver felizes. Basta recorrer a ela para ser ouvido" (ibid., 307). Transparece nessas expressões o zelo do sacerdote, que, movido pelo anseio apostólico, alegra-se em falar de Maria para os fiéis, e não se cansa de fazê-lo. Ainda que um mistério difícil como o da Assunção, ele sabia como apresentá-lo com imagens eficazes, tais como: "O homem foi criado para o céu. O diabo quebrou a escada que o conduzia. Nosso Senhor, com sua Paixão, fez uma outra... A Santíssima Virgem está no topo da escada, e a tem a duas mãos" (ibid.).

O Santo Cura d'Ars foi especialmente atraído pela beleza de Maria, beleza que coincide com o fato dela ser imaculada, a única criatura concebida sem sombra de pecado. "A Santíssima Virgem –afirmava– é aquela bela criatura que nunca desgostou o bom Deus" (ibid., 306). Como pastor bom e fiel, ele deu sobretudo o exemplo deste amor filial pela Mãe de Jesus, por meio de quem se sentia atraído para o céu. "Se não fores para o céu –exclamava– como ficarei magoado! Não verás a Santíssima Virgem, esta criatura tão linda!" (ibid., 309). Consagrou sua paróquia a Nossa Senhora, recomendando especialmente às mães fazerem o mesmo todas as manhãs com seus filhos. Queridos irmãos e irmãs, façamos nossos os sentimentos do Santo Cura d'Ars. E com a mesma fé, recorramos a Maria assunta ao céu, confiando-lhe de modo especial os sacerdotes do mundo.

[Após o Angelus, o Papa dirigiu-se aos peregrinos em vários idiomas; em português, disse:]

Saúdo os peregrinos de língua portuguesa, a quem agradeço a presença e a união na oração do Angelus, neste dia de Nossa Senhora da Assunção. Ela aponta-nos a meta do Céu, ensinando-nos que o destino do homem não se esgota no tempo, mas completa-se na Vida Eterna, junto de Deus. Esta mensagem encha os vossos corações de alegria e de esperança que vos desejo com a minha Bênção Apostólica.

[© Copyright 2009 - Libreria Editrice Vaticana]

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