Cardeal Müller: Amoris Laetitia não contradiz ensinamento católico sobre o matrimônio




VATICANO, 02 Fev. 17 / 11:00 am (ACI)


O Prefeito da Congregação para a Doutrina da Fé, Cardeal Gerhard Müller, afirmou que a exortação apostólica Amoris Laetitia
não contradiz a doutrina católica sobre o matrimônio “como uma união
indissolúvel entre um homem e uma mulher” e, portanto, incentivou a ler
este documento inteiro, para evitar confusões e tornar “o Evangelho do
matrimônio e da família mais atraente para as pessoas”.


Em uma longa entrevista publicada ontem pela publicação italiana ‘Il Timone’, a autoridade vaticana afirmou que “Amoris Laetitia está claramente interpretada à luz de toda a doutrina da Igreja” e, portanto, “não está bem que tantos bispos
estejam interpretando” o documento “segundo a sua própria maneira de
entender o ensinamento do Papa. Isso não está de acordo com a doutrina
católica”.


“O magistério do Papa somente pode ser interpretado por ele mesmo ou
através da Congregação para a Doutrina da Fé. O Papa interpreta os
bispos, os bispos não devem interpretá-lo, isto seria a destruição da
estrutura da Igreja Católica”, assinalou.


Durante a entrevista, perguntaram ao Cardeal alemão se pode haver “uma
contradição entre a doutrina e a consciência pessoal”. Ele indicou que
isto “é impossível”, pois, por exemplo, “uma pessoa não pode dizer que
existem circunstâncias nas quais o adultério não é um pecado mortal”.



“Para a doutrina católica é impossível a coexistência entre pecado
mortal e graça justificante. Para superar esta contradição absurda,
Cristo instituiu para os fiéis o sacramento da penitência e da
reconciliação com Deus e com a Igreja “.



Recordou que “o sacramento da Penitência pode nos acompanhar à comunhão
sacramental com Jesus Cristo”, mas para isso é essencial alguns atos
humanos que devem ser respeitados, como a “contrição do coração, o
propósito de não pecar mais, a confissão dos pecados e a satisfação.
Quando falta um desses elementos, ou o penitente não os aceita, o
sacramento não é realizado”.


“Nós não podemos fazer concessões”, expressou.

 Purpurado recordou que a Revelação é cumprida em Cristo e “está presente no depositum fidei dos apóstolos”; e que o desenvolvimento do dogma deve ser realizado “em continuidade, não em ruptura”.


“O que é definido dogmaticamente não pode ser desmentido de jeito nenhum: se a Igreja disse que há sete sacramentos,
ninguém, nem mesmo um concílio poderia reduzir ou mudar o número ou o
significado destes sacramentos. Quem quer entrar para a Igreja Católica
deve aceitar os sete sacramentos como meios de salvação”, afirmou.


“Deste modo, a Igreja expressou claramente o reconhecimento do
matrimônio como uma união indissolúvel entre um homem e uma mulher. A
poligamia, por exemplo, não é um desenvolvimento da monogamia, mas a sua
corrupção”.

“Portanto, podemos dizer que Amoris Laetitia quer ajudar as
pessoas que vivem uma situação que não está de acordo com os princípios
morais e sacramentais da Igreja Católica e que querem superar essa
situação irregular, mas não podemos justificá-los nesta situação. A
Igreja nunca pode justificar uma situação que não está de acordo com a
vontade de Deus”, expressou.


Nesse sentido, assinalou que continua sendo válido o empenho de São João Paulo II quando – na Familiaris consortio – chama os divorciados recasados ??e que não podem se separar a viver em continência para poder receber o sacramento da Eucaristia.


São João Paulo II “expressou o elemento constitutivo da teologia moral cristã e da teologia dos sacramentos”, afirmou.


O Cardeal Müller disse que “a confusão acerca deste tema está relacionada também com a falta de aceitação da encíclica Veritatis Splendor”.


“Dizemos, em geral, que nenhuma autoridade humana pode aceitar o que
está contra a clara vontade de Deus, dos seus mandamentos e da
constituição do sacramento do matrimônio”, assinalou.

A autoridade vaticana indicou que as palavras de Jesus sobre o
matrimônio “são muito claras e a sua interpretação não é acadêmica, mas
Palavra de Deus. Ninguém pode mudá-la”.

Nesse sentido, advertiu que “não devemos cair no espírito mundano que
deseja reduzir o matrimônio a um acontecimento privado. Hoje vemos como
os estados querem introduzir uma definição de matrimônio que não tem
nada a ver com a definição de casamento natural, e devemos lembrar
também que para os cristãos é válida a prescrição de se casar na forma
da Igreja: dizendo um sim para sempre”.


“Para nós, o matrimônio é a expressão da participação da unidade entre
Cristo esposo e a Igreja sua esposa. Esta não é, como alguns disseram
durante o Sínodo, uma simples analogia. Não! Esta é a substância do
sacramento e nenhum poder no Céu e na Terra, nem um anjo, nem o Papa,
nem um concilio ou uma lei dos bispos, tem o poder de mudá-lo”,
expressou.


Do mesmo modo, ante a pergunta sobre “como resolver o caos devido às diferentes interpretações dadas a este trecho da Amoris Laetitia”,
o Cardeal Müller recomendou que “todos meditem, primeiramente estudem a
doutrina da Igreja, a partir da Palavra de Deus na Sagrada Escritura
que é muito clara acerca do matrimônio”.


“Também aconselharia não entrar em nenhuma casuística que facilmente
podem causar mal-entendidos, sobretudo aquela de que se o amor morre,
então está morto o vínculo do matrimônio. Estes são sofismas: a Palavra
de Deus é muito clara e a Igreja não aceita secularizar o matrimônio”,
afirmou.


A autoridade vaticana disse que “o trabalho dos sacerdotes e bispos não é
gerar confusão, mas esclarecer. Não podemos mencionar apenas pequenos
trechos da Amoris Laetitia, mas requer ler tudo, com o objetivo de tornar o Evangelho do matrimônio e da família mais atraente para as pessoas”.

“A Amoris Laetitia não causou uma interpretação confusa, mas
alguns intérpretes a confundiram. Todos nós devemos compreender e
aceitar a doutrina de Cristo e da sua Igreja e, ao mesmo tempo, estar
prontos para ajudar os outros a compreendê-la e também a colocá-la em
prática nas situações difíceis”.


“O matrimônio e a família são a célula fundamental da Igreja e da
sociedade. Para dar novamente esperança para a humanidade afetada por um
forte niilismo, é necessário que esta célula esteja saudável”,
concluiu.




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