Declaração conjunta do Papa Francisco e o Patriarca Ortodoxo Bartolomeu I

Papa Francisco e o Patriarca Bartolomeu. Foto: L'Osservatore Romano
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Em
um momento histórico para o diálogo católico-ortodoxo, no domingo, 30
de novembro o Papa Francisco em sua viagem apostólica à Turquia emitiu
uma declaração conjunta com o Patriarca Ecumênico Bartolomeu I,
expressando o desejo mútuo de paz para o Oriente Médio e Ucrânia e a
liberdade religiosa para os cristãos do mundo inteiro. Abaixo ACI Digital reproduz na íntegra o texto da declaração.






“Nós, Papa Francisco e Patriarca Ecuménico Bartolomeu I, expressamos a
nossa profunda gratidão a Deus pelo dom deste novo encontro, que nos
permite celebrar juntos a Festa de São André, o primeiro-chamado e irmão
do apóstolo Pedro, na presença dos membros do Santo Sínodo, do clero e
dos fiéis do Patriarcado Ecuménico. A nossa recordação dos Apóstolos,
que proclamaram ao mundo a feliz notícia do Evangelho através da sua
pregação e do testemunho do martírio, revigora em nós o desejo de
continuar a caminhar juntos a fim de superarmos, com amor e confiança,
os obstáculos que nos dividem.



Por ocasião do encontro de Maio passado em Jerusalém, no qual recordámos
o abraço histórico entre os nossos venerados predecessores Paulo VI e
Patriarca Ecuménico Atenágoras, assinámos uma declaração conjunta. Hoje,
na feliz ocasião dum novo encontro fraterno, queremos reafirmar,
juntos, as nossas intenções e preocupações comuns.



Expressamos a nossa intenção sincera e firme de, em obediência à vontade
de nosso Senhor Jesus Cristo, intensificar os nossos esforços pela
promoção da unidade plena entre todos os cristãos, e sobretudo entre
católicos e ortodoxos. Além disso, queremos apoiar o diálogo teológico
promovido pela Comissão Mista Internacional – instituída, exactamente há
trinta e cinco anos, pelo Patriarca Ecuménico Dimitrios e o Papa João
Paulo II aqui, no Fanar –, a qual se encontra atualmente a tratar das
questões mais difíceis que marcaram a história da nossa divisão e que
requerem um estudo cuidadoso e profundo. Por esta finalidade,
asseguramos a nossa oração fervorosa como Pastores da Igreja, pedindo aos fiéis que se unam a nós na imploração comum por que «todos sejam um só (...) para que o mundo creia» (Jo 17, 21).



Expressamos a nossa preocupação comum pela situação no Iraque, na Síria e
em todo o Médio Oriente. Estamos unidos no desejo de paz e estabilidade
e na vontade de promover a resolução dos conflitos através do diálogo e
da reconciliação. Ao mesmo tempo que reconhecemos os esforços que já
estão a ser feitos para dar assistência à região, apelamos a quantos têm
a responsabilidade dos destinos dos povos que intensifiquem o seu
empenho a favor das comunidades que sofrem, consentindo a todas,
incluindo as cristãs, de permanecerem na sua terra natal.
Não podemos resignar-nos com um Médio Oriente sem os cristãos, que ali
professaram o nome de Jesus durante dois mil anos. Muitos dos nossos
irmãos e irmãs são perseguidos e, com a violência, foram forçados a
deixar as suas casas. Até parece que se perdeu o valor da vida
humana e que a pessoa humana já não tem importância alguma, podendo ser
sacrificada a outros interesses. E, tragicamente, tudo isto se passa
perante a indiferença de muitos. Ora, como nos lembra São Paulo, «se um
membro sofre, com ele sofrem todos os membros; se um membro é honrado,
todos os membros participam da sua alegria» (1 Cor 12, 26). Esta é a lei
da vida cristã e, neste sentido, podemos dizer que há também um
ecumenismo do sofrimento. Tal como o sangue dos mártires foi semente de
fortaleza e fecundidade para a Igreja, assim também a partilha dos
sofrimentos diários pode ser um instrumento eficaz de unidade. A
dramática situação dos cristãos e de todos aqueles que sofrem no Médio
Oriente exige não só uma oração constante, mas também uma resposta
apropriada por parte da comunidade internacional.



Os grandes desafios, que o mundo enfrenta na situação atual, exigem a
solidariedade de todas as pessoas de boa vontade. Por isso, reconhecemos
a importância também da promoção dum diálogo construtivo com o Islã,
assente no respeito mútuo e na amizade. Inspirados por valores comuns e
animados por um genuíno sentimento fraterno, muçulmanos e cristãos são
chamados a trabalhar, juntos, por amor da justiça, da paz e do respeito
pela dignidade e os direitos de cada pessoa, especialmente nas regiões
onde durante séculos viveram em coexistência pacífica e agora,
tragicamente, sofrem juntos os horrores da guerra. Além disso, como
líderes cristãos, exortamos todos os líderes religiosos a continuarem
com maior intensidade o diálogo inter-religioso e fazerem todo o esforço
possível para se construir uma cultura de paz e solidariedade entre as
pessoas e entre os povos.



Recordamos também todos os povos que sofrem por causa da guerra. Em
particular, rezamos pela paz na Ucrânia, país com uma antiga tradição
cristã, e apelamos às partes envolvidas no conflito para que procurem o
caminho do diálogo e do respeito pelo direito internacional para pôr fim
ao conflito e permitir que todos os ucranianos vivam em harmonia.



Os nossos pensamentos voltam-se para todos os fiéis das nossas Igrejas
no mundo, que saudamos, confiando-os a Cristo, nosso Salvador, para que
possam ser incansáveis testemunhas do amor de Deus. Erguemos a nossa
fervorosa oração a Deus, pedindo-Lhe que conceda o dom da paz, no amor e
na unidade, a toda a família humana.



«O Senhor da paz, Ele próprio, vos dê a paz, sempre e em todos os lugares. O Senhor esteja com todos vós» (2 Ts 3,16).







fonte: Declaração conjunta do Papa Francisco e o Patriarca Ortodoxo Bartolomeu I







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